Construído com financiamento coletivo e mutirões, espaço está pronto para receber público

Por Rute Pina - 13/07/2017

Com data de inauguração para 2 de setembro, o campo de futebol da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF) está em reta final e recebe os últimos preparativos. No último domingo (9), um mutirão reuniu cerca de 100 militantes do Levante Popular da Juventude para auxiliar a finalização o projeto.

O campo da escola vai receber jogos de futebol e também acolher o público de reuniões e debates realizados. O cantor e compositor Chico Buarque está confirmado para participar da inauguração do campo. No dia, haverá um ato político e apresentações culturais.

David Martins, militante do Levante no Rio Grande do Sul, participou do mutirão para finalizar as laterais do campo. Para ele, o espaço vai ter uma importância de integração das turmas que fazem curso na escola e que são de diversas organizações e países.

"Estudantes de vários cursos ao longo de suas etapas contribuíram nos finais de semana, no dia de descanso, para realizar a construção deste espaço do campo. E agora, no final, além do Levante, a gente contou também com a participação da solidariedade internacional do comitê de amigos do MST."

A iniciativa da construção é da Associação de Amigos da Escola Florestan Fernandes, que articulou contatos junto à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP para a elaboração conjunta de um complexo esportivo na ENFF. A obra foi financiada coletivamente através da plataforma Catarse. Com a colaboração de 602 pessoas, foram arrecadados R$ 67.200. A meta inicial era de R$ 60 mil.

Giovani del Prete, assessor de relações públicas da associação, reitera que a solidariedade de parceiros é marca também da construção da escola: "Desde a concepção até a edificação e todos os trabalhos que são desenvolvidos desde a inauguração, a gente tem como um valor central a solidariedade, da parte simbólica, da subjetividade da construção e do pensamento como as coisas serão, até a auto-execução. Não diferente, o campo também entra nesse eixo da solidariedade."

Para Giovani, um dos objetivos do campo, além do espaço de integração e atividades da escola, é o resgate do encanto do futebol como um momento de lazer da classe trabalhadora.

O campo leva o nome de Doutor Sócrates Brasileiro em homenagem ao jogador que lutou pela redemocratização do país por ser um dos precursores da “democracia corinthiana”.

A Associação dos Amigos da Escola Nacional Florestan Fernandes (AAENFF) promove debates, mutirões voluntários e arrecadação de recursos para a construção e manutenção dos espaços da ENFF, entre outras atividades. Criada em 2010, a AAENF tem como objetivo ser ponte entre a sociedade civil e a Escola Nacional Florestan Fernandes.

Com mais de 10 anos de existência, a ENFF já abrigou diversos cursos, atividades, místicas, e bons encontros. E toda essa história só pode ser contada por causa da rede de solidariedade que se construiu em torno desta proposta de formação de quadros políticos para organizações do Brasil, da América Latina e do mundo todo.

 

Assista o vídeo para saber um pouco mais sobre a Associação de Amigos da Escola Nacional Florestan Fernandes e como se tornar um apoiador.

15/12/2016

Haidée Paixão participou, no sábado (3), em São Paulo (SP), do debate "O assassinato da Juventude Brasileira"

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 No dia 5 de dezembro, o policial Luciano Pinheiro Bispo foi absolvido pela morte do estudante Douglas Martins Rodrigues, então com 17 anos, ocorrida durante uma abordagem, em 28 de outubro de 2013, no Jardim Brasil, zona norte da capital paulista. Dois dias antes da absolvição, a advogada Haydee Paixão, do movimento Kilombagem, alertava para os outros casos de impunidade de crimes contra pessoas de periferia, principalmente negras, durante o debate "O assassinato da Juventude Brasileira".

O evento, chamado pela Associação de Amigos da Escola Florestan Fernandes, aconteceu na manhã no sábado (3), na Editora Expressão Popular, no centro de São Paulo (SP).

Para Paixão, "existe um projeto genocida no país" contra a população negra. "Só não é possível enquadrar o Estado brasileiro no crime de genocídio porque não há ordem expressa, ou seja, uma política nacional explícita que oriente as polícias a matarem negros nas periferias. Mas a ação se enquadra perfeitamente na definição de genocídio do Estatuto de Roma, de 1980", argumentou.

Segundo o documento, genocídio é tipificado por "atos praticados com intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso", sendo que os atos são "homicídio de membros do grupo"; "ofensas graves à integridade física ou mental de membros do grupo"; "sujeição intencional do grupo a condições de vida com vista a provocar a sua destruição física, total ou parcial"; "imposição de medidas destinadas a impedir nascimentos no seio do grupo"; e "transferência, à força, de crianças do grupo para outro grupo".

A advogada citou a definição do jurista Abdias Nascimento, que diz que genocídio é "a negação sistemática do desenvolvimento de um povo", para defender que o genocídio da população negra no Brasil não é apenas físico, mas também simbólico.

"A imagem que se construiu ao longo dos anos é que os jovens negros são todos traficantes, perigosos e que não podem estar em espaços de poder", definiu.

Ela ainda falou sobre as posições sociais de grupos opostos, que condiciona a situação atual de mortes em massa. "São sempre os mesmos que estão morrendo, e os mesmos que estão julgando, geralmente de classes opostas".

Racismo institucionalizado
Essa lógica, segundo Paixão, é construída a partir de desigualdades impostas historicamente e apropriadas pelo capitalismo e suas instituições. Para isso, ela citou o livro "Dignos de Vida", de Orlando Zacconi, que defende que é o Judiciário que permite que se legitime a impunidade da polícia.

"De um lado, vemos o arquivamento do caso do assassinato do menino Eduardo, de 10 anos, no Rio de Janeiro. O arquivamento do caso Cláudia, que foi arrastada por um carro da polícia após ser baleada pela PM. (...) Acontecem assassinatos e, quando a gente recorre à Justiça, não tem justiça", exemplifica.

O escritor Paulo Lins corroborou a tese de Paixão de que o racismo e o genocídio são causados pela estrutura da sociedade brasileira. "A elite é racista, a polícia é racista, a mídia é racista. Não sei o que podemos fazer", afirmou Lins, em tom de perplexidade.

Ainda sobre a violência simbólica, Lins apontou que a deslegitimação da arte e da religião de africanos que chegaram ao Brasil escravizados nos quatro primeiros séculos de colonização foram parte fundamental da destruição do povo negro.

"[O poeta] Otávio Paz separava as criações humanas entre o substituível e o insubstituível. A faca foi substituída pelo revólver. O lápis pelo computador. As ferramentas são substituíveis. Mas a arte e a religião são insubstituíveis, e é o que fortalece um povo. Mas o negro ainda tem sua arte diminuída e é atacado por sua religião, que é algo que nos fortalece, que nos liga aos nossos antepassados", refletiu.

Brancos


"Hoje, a população branca não se constrange com o genocídio da população negra", afirmou Paixão quando questionada sobre a posição da esquerda brasileira em relação ao assunto.

Para ela, ainda falta o diálogo na maioria dos espaços da chamada "esquerda branca burguesa". "Para haver diálogo, é preciso o lugar da escuta. Na academia, por exemplo, é comum que, após falar de genocídio, as pessoas que estão no espaço continuem repetindo as mesmas análises, como se não tivessem escutado ou levado em consideração outro ponto de vista", argumentou.

Homenagem

Ao final do evento, Paixão dedicou sua fala à mãe de Eduardo, Joselita de Souza, que morreu de depressão por não conseguir que a morte de seu filho fosse sequer investigada.

Após ficar quatro meses tomando apenas sopa, Joselita foi levada a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mas não resistiu e morreu oito meses depois do crime.

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04/11/16

Organizações da sociedade civil, parlamentares e personalidades estão convocando um ato contra a Criminalização dos Movimentos Populares e em Solidariedade à Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF).

A mobilização, que acontece neste sábado, às 15h, na própria ENFF, na cidade de Guararema (SP), é uma resposta à ação da Polícia Civil, que na manhã desta sexta-feira (4) invadiu as dependências da escola sem mandado judicial. Durante a ação, a polícia chegou a disparar três tiros de bala de revólver e detiveram dois militantes, que foram liberados depois de prestarem depoimento.

A mobilização da polícia fez parte da operação “Castra”, que envolveu três estados: Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, e teve como principal objetivo prender e criminalizar as lideranças dos Acampamentos Dom Tomás Balduíno e Herdeiros da Luta pela Terra, militantes assentados da região central do Paraná. No PR, oito militantes foram presos.

Já no Mato Grosso do Sul, 3 viaturas policiais, com placas do Paraná, entraram no Centro de Pesquisa e Capacitação Geraldo Garcia (CEPEGE), em Sidrolândia. A ação policial procurava por militantes do MST do Paraná que, supostamente, estariam naquele centro.

Em nota, o MST denunciou a “escalada da repressão contra a luta pela terra, onde predominam os interesses do agronegócio associado a violência do Estado de Exceção, acusando a empresa Araupel de estar em conluio com o aparato policial e autoridades públicas.

Desde maio de 2014, cerca 3 mil famílias ocupam áreas griladas pela Araupel, declaradas pela Justiça Federal terras públicas pertencentes à União.


Serviço:

Local: Rua José Francisco Raposo, nº 1.140, Bairro Parateí, Guararema, SP - Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF)

Horário: 15h


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