Especialistas destacam que é preciso unir as esquerdas em defesa dos direitos

10/10/2016

Da Redação

debate

A professora Maria Carlotto, presidenta da Associação dos docentes da Universidade Federal do ABC (UFABC), e o economista João Pedro Stedile, da coordenação Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), apontam as consequências do golpe institucional (parlamentar, judiciário e midiático) para a classe trabalhadora brasileira num cenário de crise estrutural do capitalismo: a burguesia quer aumentar sua taxa de lucro avançando sobre os direitos trabalhistas, os direitos sociais e as riquezas naturais.

A Associação dos Amigos da Escola Nacional Florestan Fernandes (AAENFF) convidou os representantes dos professores das universidades públicas e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) para discutir os desafios que se colocam para os trabalhadores brasileiros depois do golpe parlamentar, judiciário e midiático.

De acordo com a socióloga Maria Carlotto, representante da Associação dos Docentes da UFABC, nesse cenário de crise estrutural do capitalismo, a burguesia brasileira associada à burguesia norte-americana deu o golpe político com a intenção de aumentar a sua taxa de lucro. Com isto, a agenda do governo golpista tem como objetivo restringir os direitos trabalhistas, privatizar as empresas estatais e os bens naturais e realizar uma reforma da educação que privatize e elitize ainda mais o ensino superior e restrinja o ensino médio para o treinamento profissional.

Para Carlotto, as universidades federais já estão sentindo as consequências dessa sangria: os cortes de verba que iniciaram com a redução nos investimentos para construção de novos campus e novos cursos para ampliação de vagas, agora chegam à redução de gastos com custeio para pagamento de luz, água e telefone, por exemplo, além do corte na contratação de funcionários e aumento da terceirização. Sem as verbas federais para custeio, muitas universidades federais podem parar já em agosto de 2017. A elitização da universidade pública também ocorre com a redução das bolsas de auxílio socioeconômico, forçando a saída de estudantes que haviam garantido ingresso com o sistema de cotas.

O economista João Pedro Stedile, da coordenação nacional do MST, explica que o cenário econômico no qual foi plantado o golpe político é de uma grave crise estrutural e internacional, iniciado em 2008, tão intenso quanto nas décadas de 1930, 1960 e 1980. A esperança dos golpistas era ter conquistado a presidência em 2014, mas com a derrota, conspiraram abertamente nas mansões do Morumbi (SP) e do Lago Sul (DF), com ajuda da mídia burguesa, para derrubar o governo Dilma Roussef e colocar no lugar Temer, encaminhando o Brasil para uma crise do Estado burguês tão grave que resultou numa ampla maioria de votos nulos e brancos. Isto significa dizer que quem administra o Estado não tem mais o reconhecimento político e nem a legalidade necessária para governar.

Stedile demonstra que não há apenas crise na economia e na política, mas também no meio ambiente, cuja gravidade foi constatada na gestão do estado de São Paulo que levou à crise hídrica e racionamento forçado apenas para as periferia, além da deliberada destruição ambiental, como foi o caso desmoronamento da barragem da empresa privada de mineração que destruiu o município de Mariana, a vida dos trabalhadores e sua riqueza natural.

Para o aumento da taxa de lucro, os golpistas planejam uma reforma trabalhista que reduza os salários, aumente a jornada de trabalho e eleve em milhões os desempregados brasileiros. Além disso, a apropriação dos recursos naturais é uma das formas mais rápidas de garantir lucro para os capitalistas nacionais e internacionais. Uma empresa que obtiver o benefício de retirar a água (bem natural público) para vender, restringirá o acesso da população a esse recurso natural e conseguirá um lucro extraordinário.

Carlotto e Stedile assinalam a necessidade de unir os diferentes setores e as diferentes gerações de trabalhadores, em suas associações, sindicatos, escolas, universidades, movimentos populares, partidos de esquerda, para barrar as medidas neoliberais do governo golpista brasileiro e avançar com um programa mínimo das esquerdas. O avanço neoliberal tem levado à destruição de instituições importantes para a integração da América Latina, como a Unasul, Celac, Mercosul, etc, para a subordinação aos interesses do imperialismo norte-americano. E, nesse sentido, a luta da classe trabalhadora é internacional. Na agenda de "Nenhum Direito a Menos", está colocada a preparação de várias manifestações, greves e ocupações rumo à greve geral para o dia 10 de novembro e a jornada nacional contra a criminalização dos lutadores sociais para o dia 11 de novembro.

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