Campo da ENFF: "Para Sócrates, a política e o futebol não se separavam"

Por Redação

"Para Sócrates, a política e o futebol não se separavam. A militância dele não estava separada por espaço; ela estava nos dois, dentro e fora das quatro linhas".

Segundo Rosana Fernandes, da coordenação da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), este foi o motivo de homenagear o jogador de futebol conhecido pelas alcunhas de "Doutor" e de "Magrão" no campo de futebol da entidade, que se chamará Dr. Sócrates Brasileiro.

O espaço de lazer e socialização será construído, como toda a escola, com recursos oriundos da solidariedade de amigos que contribuíram na campanha de financiamento coletivo do Catarse, que termina nesta sexta (2).  Mais de R$ 64 mil já foram arrecadados por meio do Catarse, ferramenta de financiamento coletivo, durante os últimos dois meses.

Confira a entrevista completa com Rosana, da ENFF, sobre a escolha do nome do campo de futebol:

Qual foi o processo para a escolha do nome do campo?

O processo foi muito natural, porque já havia uma identificação da militância do movimento com a trajetória do Dr.Sócrates. Normalmente, abrimos a consulta para nomear os espaços da Escola Nacional, recebendo várias sugestões. Mas, neste caso, o nome de Sócrates surgiu com muita força e consenso. Uma unanimidade.

E por que "Dr. Sócrates Brasileiro"?

Como uma homenagem à sua trajetória dentro e fora de campo. Aliás,A militância dele não estava separada por espaço; ela estava nos dois, dentro e fora das quatro linhas.

Mesmo no período de ditadura militar, ele não escondeu as suas opiniões. Ao contrário: por saber de sua responsabilidade como atleta e personalidade, ele politizou o futebol, questionando métodos e procedimentos atrasados, e levou o esporte para a política tomando partido em momentos decisivos da história do Brasil, como as Diretas Já.

Como o esporte pode ser importante na disputa de opiniões?

O exemplo do Dr.Sócrates já responde esta pergunta. Queremos transformar a sociedade em todos os sentidos. Queremos mudar a economia, as relações sociais... E queremos também pensar outra forma de relação com o esporte, que não seja mercantilizada, que não seja inacessível para a população, como acontece com as novas arenas elitizadas.

Queremos um futebol em que o esporte seja a prioridade, não o interesse dos patrocinadores.

Na sua opinião, como seria a reação de Sócrates ao saber que ele está sendo homenageado em um espaço do MST?

Apesar de todo o reconhecimento nacional e internacional que tinha, o Sócrates nunca deixou isso lhe subir à cabeça. Era humilde. No fim da vida, ele se ofereceu para trabalhar como técnico da seleção cubana de futebol para ajudar a difundir o esporte na ilha, e sua única exigência era receber o mesmo salário que qualquer trabalhador cubano.

Acho que ele não aceitaria a homenagem por esta postura. E, justamente por isso, que agora devemos homenageá-lo, ou seja, para que esta postura seja exemplo e legado.

Como será a relação do espaço do campo de futebol com o espaço externo à escola? Outros clubes independentes poderão organizar partidas no local, por exemplo?

O esporte é um espaço de sociabilidade, de criar identidades e vínculos. Então, além de estar à disposição das centenas de estudantes que passam pela Escola Nacional Florestan Fernandes, queremos que ele seja uma ferramenta para fortalecer os vínculos de companheirismo, amizade e luta do MST com outros movimentos sociais.

Também queremos que seja uma espaço a ser compartilhado com outras iniciativas esportivas de luta, como o Autônomos F.C., o Garantia de Luta, o Celeste Proletária, a Democracia Corintiana, o Catadão FC, que mantêm o legado do Dr. Sócrates politizando o futebol e trazendo o futebol para a política.

Edição: Camila Rodrigues da Silva

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