Murais com registro de estudantes são patrimônio da Escola Nacional Florestan Fernandes

05/08/2016

Espalhados por toda a escola, os murais socializam a arte como uma ferramenta de luta

Por Nadine Nascimento
Da Redação

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Murais produzidos por estudantes são marca registrada no cenário da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), em Guararema, no interior paulista, e se tornaram pontos de referência para os visitantes do local.

Um dos mais procurados é o mural Frida Kahlo, na Casa das Artes, lugar de foto obrigatória nas visitas à Escola. Além da homenagem à artista mexicana, murais que homenageiam o guerrilheiro Carlos Marighella e o próprio Florestan Fernandes são bastante elogiados.

Tão peculiares à ENFF, os murais socializam a arte e tem a função de deixar uma memória artística dos estudantes que passam pelos cursos oferecidos. Eles têm grande significado porque levam o nome das turmas dos estudantes e mostram a arte como uma forma de construção de identidade política.

Segundo uma das coordenadoras do setor pedagógico da Escola, Daiane Rocha, essa expressão cultural faz parte da mística do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), organização idealizadora da ENFF, que cria a ideia de pertencimento dos militantes. "É um processo coletivo e muito interessante até mesmo para aquelas pessoas que não possuem nenhuma habilidade artística e que acabam deixando sua marca ali", explica Daiane.

As turmas de inúmeros cursos – como o de Formação de Formadores, o de Estudos Latino Americanos, além de graduações, especializações, mestrados, entre outros – deixam pela Escola, através dos murais, o registro e as expressões de cultura e de identidade política.

>> Confira neste vídeo alguns dos murais da ENFF:

 

 

Daiane destaca que eles também representam o intercâmbio cultural presente na ENFF, que acolhe estudantes de todo o mundo. "Cada turma consegue transmitir a realidade de suas organizações ou país. Nós temos muitos murais que são feitos por turmas nacionais e também aqueles feitos pelas turmas de latino-americanos. Estes apresentam as bandeiras, as vestes, os costumes e as diferentes culturas desses alunos", afirma a coordenadora.

Esses registros estão espalhados por todos os cantos da ENFF e se manifestam das mais variadas formas, como em pinturas nas paredes, quadros, pirografias (técnica artística que utiliza o fogo para grafar) e esculturas. No início dos cursos, as turmas definem que nome gostariam de ter. Normalmente, são referências a homens e mulheres que lutaram por Justiça e igualdade social ou a acontecimentos históricos da classe trabalhadora. Após a escolha, eles produzem os murais, sugerindo os locais que gostariam de expô-los.

Para Joatan Xavier, um dos militantes que contribui no setor de cultura da ENFF, os murais "são uma espécie de documentos histórico com o objetivo de deixar uma marca de conteúdo político, entendendo a arte como uma ferramenta de luta."

Devido à ação do tempo sobre os murais, a coordenação da Escola decidiu investir, neste ano, na restauração deles, principalmente, os que estão expostos ao sol e à chuva. O objetivo é preservar esse patrimônio da Escola, aproveitando para unir a comunidade de estudantes e formadores nesta atividade.

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